A primeira menstruação (período) aparece à volta dos 13 anos de idade. O ciclo menstrual começa no primeiro dia da hemorragia e estende-se até ao dia antes do próximo período. Isto é, o ciclo menstrual inclui os dias de hemorragias e aqueles que se seguem sem hemorragias. Um ciclo tem cerca de 28 dias. A hemorragia, normalmente, dura entre dois a 7 dias. A perda de sangue num período normal é à volta de 50 ml.
Cerca de 14 dias antes do próximo período esperado é libertado um ovo dos ovários (ovulação). Durante os dois dias seguintes, aproximadamente, o ovo encontra-se com vida e pode ser fertilizado. Se a fertilização não ocorrer, o ovo morre e por volta do 28º dia do ciclo inicia-se a expulsão da camada de sangue que reveste o útero (menstruação). Depois da menstruação, o útero é revestido com uma nova camada, um novo ovo é libertado e etc.
Dores menstruais
As mulheres com problemas especiais de menstruação, já conhecem as dores. Pergunte à mulher acerca destes problemas.
Algumas mulheres têm cãibras parecidas com cólicas no inicio do período menstrual. As dores podem ser acompanhadas por náuseas e vómitos.
Dores persistentes e continuas localizadas na parte inferior das costas e/ou na zona da virilha são muito comuns durante os dias que precedem o inicio do período menstrual.
Em ambos os casos, só deverão ser dados analgésicos fracos (paracetamol).
Hemorragia inesperada sem haver
gravidez
Uma hemorragia inesperada fora do período menstrual normal, ou um período menstrual muito intenso, ou uma hemorragia já depois da menopausa (depois dos 50 anos).
Em todos os casos, uma mulher com hemorragias inesperadas deverá ser examinada por um médico, o mais tardar no porto de chegada.
Observação e tratamento
Verifique a quantidade de sangue que saiu, pesando para isso uma toalha absorvente (embrulhada num saco de plástico) antes e depois de usar. A diferença de pesos corresponde à perda de sangue.
Teste a urina em busca de sintomas de gravidez ou infecções.
No caso de hemorragias intensas, a mulher deve ser mantida sobre observação, medindo para isso a pulsação, a pressão sanguínea, a temperatura e verificar o estado geral.
Hemorragias menos intensas, normalmente, terminam depois de um ou dois dias de repouso.
No caso de hemorragias intensas e persistentes pode desenvolver-se um choque devido à perda de sangue. Neste caso, a paciente deverá ser tratada e observada em colaboração com o médico.
Gravidez
Uma mulher com dores, especialmente na zona inferior do abdómen, deve ser sempre examinada para se confirmar ou excluir a possibilidade de gravidez.
As suspeitas de gravidez são elevadas se:
A gravidez pode ser detectada na urina fazendo um simples teste. Existem muitos testes diferentes no mercado, os quais são efectuados de diversas formas. Leia as instruções que acompanham o teste que tem a bordo.
A gravidez dura 40 semanas, e é calculada a partir do primeiro dia de hemorragia do último período. Na 12º semana, o feto tem 9 cm e pesa 30 g. Em circunstâncias normais, a 12ª semana é o limite máximo para se fazer um aborto. À 16ª semana o feto tem 16 cm e pesa 125 g. Por esta altura a mulher já terá notado um aumento do seu abdómen. À 20ª semana, o feto tem 25 cm e pesa 300 g. Muitas mulheres já o terão "sentido a mexer".
Hemorragia e dor durante a gravidez
A hemorragia durante os primeiros seis meses de gravidez pode ser uma indicação de ameaça de aborto e durante os últimos meses pode ser uma indicação de um nascimento iminente. Se houver também dores na parte inferior do abdómen é porque o aborto/nascimento, possivelmente, estará a ocorrer.
Sintomas e tratamento
A observação e o tratamento deve ser efectuado em colaboração com o médico. A paciente deve permanecer na cama.
Existirão hemorragias inesperados da vagina. O sangue pode ser vivo, vermelho claro e com coágulos de sangue, e possivelmente com partes do feto.
Existem dores constantes mas também dores que se repetem em ciclos, como por exemplo contracções. As dores podem alastrar até às costas e mesmo para os lados.
Verifique a aparência e a quantidade de sangue. A quantidade de sangue que saiu pode ser medida, pesando para isso uma toalha absorvente (embrulhada num saco de plástico) antes e depois de a usar. A diferença de pesos corresponde à perda de sangue.
Teste a urina em busca de sinais de gravidez ou infecção. Se o teste de gravidez for negativo é porque está a ocorrer um aborto.
Gravidez ectópica
Cerca de 1% dos ovos fertilizados alojam-se algures fora do útero, muitas vezes nas trompas de falópio. Aqui, o ovo e a placenta crescem e desenvolvem-se. O ovo em crescimento pode provocar o rompimento da trompa, devido à falta de espaço. Tipicamente isto ocorre antes da 8ª semana de gravidez. Quando as trompas de falópio se rompem, pode acontecer que um vaso sanguíneo se rompa. Neste caso ocorrerá uma hemorragia interna que poderá por em risco a vida da paciente.
- Gravidez ectópica. O tubo de Falópio rebenta e ocorre uma hemorragia para a cavidade abdominal.
Sintomas
A paciente queixa-se de dores na parte inferior do abdómen. A intensidade das dores pode variar de moderadas a muito violentas. Quando a mulher se encontra pálida, húmida e a pele do abdómen está dura e firme, é sinal de dores intensas. As dores podem ser difusas em todo o baixo abdómen, ou só num lado, e podem alastrar até aos ombros. Pode haver dor em ligação com a defecção.
A hemorragia vaginal é normalmente muito ligeira, pois a hemorragia escorre para a cavidade abdominal. O sangue da vagina é muitas vezes vermelho escuro ou castanho, e não contém partes do feto.
Observação e tratamento
A observação e o tratamento deve ser efectuado em colaboração com o médico.
Antes do ataque de hemorragia ou dor, a mulher normalmente terá visto sinais de gravidez. Na maior parte dos casos, terá faltado um período.
A urina deve ser testada em busca de sinais de gravidez e infecção. Deve seguir de perto o estado geral da paciente, a temperatura, a respiração, a pulsação e a pressão sanguínea.
Verifique a aparência e a quantidade de sangue pesando uma toalha higiénica (embrulhada num saco de plástico) antes e depois de usar. A diferença no peso corresponde ao sangue perdido. Em muitos casos existe um risco de choque.
Possibilidades de confusão
O estado pode ser confundido com um aborto, em que existe muitas vezes muita hemorragia da vagina, e por vezes com partes do feto.
Com uma infecção pélvica aguda, existirá febre e normalmente e o teste de gravidez é negativo.
Com apendicite, existirá muitas vezes uma pequena febre e o teste de gravidez é negativo.
Com cistite, pode existir febre e dores quando a paciente urina. Normalmente, o teste de gravidez é negativo, enquanto que o teste à urina dará como positivo a presença de nitritos e leucócitos.
Com dores devidas a pedras biliares e úlceras gástrica existirá normalmente hemorragia da vagina, mas a localização das dores será diferente e o teste de gravidez é normalmente negativo.
Aborto
A rejeição de um feto morto antes da 28ª semana de gravidez é chamada de aborto.
Sintomas
Os sintomas característicos são a hemorragia e dor na mulher que apresenta sinais de gravidez.
O sangue pode ser vivo, vermelho claro e com coágulos de sangue, possivelmente com partes do feto.
Existem dores constantes mas também dores que se repetem em ciclos, como por exemplo contracções. As dores podem alastrar até às costas e mesmo para os lados.
Observação e tratamento
A observação e o tratamento deve ser efectuado em colaboração com o médico.
A mulher deve repousar deitada e deve ser observada de perto, nomeadamente no que diz respeito à temperatura, à pulsação e à pressão sanguínea.
Verifique a aparência e a quantidade de sangue pesando uma toalha higiénica (embrulhada num saco de plástico) antes e depois de usar. A diferença no peso corresponde ao sangue perdido. Em muitos casos existe um risco de choque.
Em alguns casos existe a possibilidade de ocorrer uma hemorragia persistente que poderá levar à ocorrência de um choque. Nestes casos de hemorragias poderão ser ministrados comprimidos de methylergometrine.
Nascimento
Um nascimento a bordo é normalmente prematuro e inesperado. Um nascimento com muito menos de 40 semanas é arriscado, tanto para a mãe como para o feto.
Ao primeiro sinal de entrada em trabalho de parto, deve consultar o médico e discutir a possibilidade de fazer uma evacuação segura da paciente, ou a possibilidade de trazer a bordo um médico.
O contacto com o médico deve ser constante e a mulher em trabalho de parte deve ficar constantemente sob vigilância.
É necessário:
Durante o parto deverão estar presentes três pessoas: uma pessoa responsável pelo papel de parteira; um assistente para ajudar a parteira, e por último uma pessoa que possa olhar pelos instrumentos e que possa tomar conta das comunicações externas. Se houver uma pessoa no barco que já tenha feito um parto anteriormente, deverá levá-lo para ajudar.
A fase inicial
Um primeiro sinal, que pode indicar que a mulher vai entrar em trabalho de parto, é a ocorrência de dores no abdómen e nas costas. Existe uma grande variação na intensidade e duração das dores de mulher para mulher. Existe, também, uma grande variação no tempo que decorre entre o primeiro sintoma até ao final do parto.
Em mulheres que vão ter um parto pela primeira vez, têm normalmente dores durante a semana anterior. Estas dores são pequenas e existem contracções irregulares no útero. No estágio inicial, o bebé "afunda-se" em direcção à bacia. No final, pode aparecer um pouco de sangue na vagina.
O nascimento
A primeira fase do parto dura entre oito a nove horas, passando as contracções de fracas a moderadas e regulares. A duração de cada contracção é de 15 a 30 segundos. O tempo entre cada contracção vai desde 5 a 20 minutos.
Durante esta fase, a mulher deverá ser colocada numa cama que lhe dê conforto. A cama deve estar feita por forma a que haja um lençol extra, dobrado ao meio, estendido na metade inferior da cama. A mulher em trabalho de parte deverá relaxar e dormir durante esta fase, para que fique descansada.
A mulher deve usar uma toalha absorvente para que seja possível medir a quantidade de sangue perdido.
A mulher, se possível, deve ser
encorajada para defecar e esvaziar a bexiga.
Esta fase dura entre duas a quatro horas. Esta fase de transição ocorre, normalmente, muito repentinamente. As contracções tornam-se mais fortes. A duração de cada contracção passa para cerca de 45 segundos e o tempo entre cada contracção passa para cerca de 3 a 5 minutos.
Assegure-se que a mulher esvaziou a bexiga (e se possível os intestinos) antes de se iniciar o parto.
Ela deve estar coberta com um cobertor para evitar arrefecer antes de começar o parto propriamente dito. Se ela o desejar, devem ser colocadas almofadas suficientes para lhe suportar as costas.
Nesta altura, é só o útero que tem contracções. A mulher em trabalho de parto não sente a necessidade de fazer força, e por isso não tem dores. A mulher em trabalho de parto deve permanecer deitada de lado na cama, para que possa relaxar o mais possível. Se ela repousar deitada de costas, pode sentir-se desconfortável por causa da pressão que o feto possa estar a fazer na veia cava.

- Posição de repouso durante a segunda fase.
Na maior parte dos casos, a bolsa de águas rebenta no final da fase 2. Estas águas são os fluidos que envolvem o feto. São cerca de 250 a 500 ml de um líquido transparente e pegajoso.
Troque os lençóis e as luvas
descartáveis regularmente.
A fase 3 dura cerca de meia hora. As contracções encontram-se agora com a máxima força. A duração das contracções é de cerca de 60 a 90 segundos, com pausas de 2 ou 3 minutos.
A mulher em trabalho de parto sente a necessidade de fazer força para baixo, mas ela deve tentar resistir. Isto é feito, deixando-a ficar deitada de lado e durante a contracção ela deve concentrar-se em respirar:
1. Durante cada contracção, ela deve respirar rápida e superficialmente.
2. Quando houver uma sensação de haver necessidade de fazer força para baixo, faça-a respirar fundo.
O parto em si
O parto propriamente dito, dura entre meia hora a 1 hora. A intensidade, a duração e a frequência das contracções mantêm-se inalteradas.
Até se poder ver a cabeça do
bebé, a mulher em trabalho de parto deve manter-se deitada de lado.
Três vezes durante cada contracção, a mulher deve fazer força da seguinte
maneira:
1. Deve inspirar ar profundamente.
2. Segurar o ar nos pulmões e fazer força.
3. Expirar profundamente.
Durante o resto do parto, a mulher deve ficar deitada de costas.
- Deitada de costas durante o parto.
O assistente da parteira deve ajudar a mulher da seguinte forma:
- Deve dar instruções para quando é que deve fazer força e quando é que não deve.
- Segurar os ombros da paciente com um braço durante as contracções e
- deve limpar o suor da testa da mulher.
Durante as contracções uma pequena quantidade de sangue e fezes podem sair. Troque as suas luvas e lençóis da forma que achar necessário, e limpe o recto com água limpa e panos descartáveis. Mude a água frequentemente.
Durante cada contracção, a cabeça do bebé, torna-se cada vez mais visível. Quando a contracção termina, a cabeça do bebé recua um pouco mais para dentro. Há-de chegar a um ponto em que a cabeça sai completamente.
Por forma a evitar que haja hemorragias na vagina ou na abertura vaginal, é importante que no parto a cabeça do bebé e os ombros não saiam muito rapidamente.
- A mulher em parto deve fazer força e respirar em instantes diferentes.
- Com uma mão a parteira deve puxar com cuidado a cabeça em direcção ao osso púbico.
- Ao mesmo tempo, a parteira empurra os lábios da vagina para baixo da cabeça do bebé.
- Enquanto a cabeça do bebé passa pelos lábios, peça à mulher para respirar e para não fazer força. O peito do bebé encontra-se sobre pressão no canal de nascimento, e por isso serão vistos líquidos pegajosos e amnióticos no nariz e boca do bebé.
- O nariz e a boca do bebé devem ser imediatamente limpos com o aparelho de sucção, com a parteira a usar a sua boca para criar uma pequena subpressão.
- Com uma mão, a cabeça do bebé é puxada em direcção ao lençol. Agora um dos ombros do bebé irá imergir do interior do osso púbico da mulher.
- Segure com ambas as mãos a cabeça do bebé, colocando os polegares no topo da cabeça do bebé e os restantes dedos em volta do pescoço. Puxe mais um pouco a cabeça para fora e um bocadinho para cima num movimento para a frente e para cima. Aparece agora o outro ombro.
- Pegue no bebé por baixo dos ombros com ambas as mãos, com os polegares na frente dos ombros, os indicadores por trás dos ombros, e os dedos restantes a suportar as costas. Continue a puxar num movimento curvo, para fora e para cima. Agora nasceu o bebé.
- Coloque o bebé de cabeça para baixo entre as pernas da mãe, para que o sangue da placenta escorra, através do cordão umbilical, para o bebé.
- Quando deixar de sentir a pulsação no cordão umbilical corte-o:
-Coloque dois grampos esterilizados no cordão umbilical, um a 2 ou 3 cm do bebé e o outro a cerca de 5 cm do bebé.
-Corte o cordão entre os dois grampos com uma tesoura esterilizada.- Normalmente, o bebé começará a respirar assim que nascer.
Se não:
-Faça a sucção no bebé.
Se não ajudar:
-Sopre ar para o bebé através da técnica de respiração boca para nariz.
Se não funcionar:
-Inicie a ressuscitação.- Limpe o bebé com água quente e embrulhe-o em roupas limpas ou num lençol e coloque-o no peito da mãe.
- A mãe continuará a ter contracções, pois a placenta terá que sair também. Quando a placenta se soltar das paredes do útero, escorrerá sangue. Isto acontece normalmente 15 minutos depois do parto. De seguida, a mãe consegue expelir a placenta.
Quando o útero ficar vazio, ele contrai-se fortemente e os vasos sanguíneos separados voltam a juntar-se. O total de sangue perdido durante um nascimento pode parecer excessivo, mas usualmente é inferior a 300 ml.
Lave as partes inferiores da mulher cuidadosamente com água quente, juntando um pouco de sabão. Lave desde a vagina até ao recto. Use muitos panos descartáveis e mude de água frequentemente para evitar contaminações. Antes de se vestir, a mulher deve colocar um penso higiénico. Verifique regularmente se existe sangue no penso e mude-o.
Durante as horas que se seguem, verifique se existem sinais de hemorragias. Verifique a aparência e a quantidade do sangue, pesando para isso uma toalha absorvente (embrulhada num saco de plástico) antes e depois de usar. A diferença de pesos corresponde à perda de sangue. Verifique se a quantidade de sangue no penso higiénico vai diminuindo e que a pulsação e a pressão sanguínea estão estáveis.
Verifique se a mulher fica com febre ou se tem descargas mal cheirosas, pois são indicações de infecção no baixo abdómen.
- Suporte o períneo e faça passar
suavemente a cabeça do bebé pelos lábios vaginais.
- Empurre a cabeça do bebé em direcção ao osso púbico, enquanto que com a outra mão segura a cabeça do bebé.
- Faça a sucção do nariz e boca do
bebé.
- Pressione cuidadosamente a cabeça do
bebé para baixo em direcção ao lençol.
- Um dos ombros do bebé aparece por
baixo do osso púbico.
- A direcção para puxar o bebé é
para cima de uma forma curva. 
- Segurando bem a cabeça do bebé, continue o movimento para cima e curvo para retirar o bebé. O corpo do bebé nasce.
- Usando tesouras limpas, corte o cordão umbilical entre os grampos.
- Lave o bebé em água tépida, coloque-o em roupas limpas e ponha-o ao peito da mãe.
- Quinze minutos depois, a placenta é expelida.